SEU FORTUNATO
(O Meu Pai)
Curvado pelo peso do trabalho duro,
Com enxada e a foice às costas, e o cabaço,
A caminho da roça, em seu trôpego passo,
Já não tem resistência em seu corpo maduro.
É um homem de idade e pensamento puro,
Que se sente perdido ao mudar de espaço.
É como se o pusessem em um cadafalso,
Tirando-lhe o que resta como seu futuro!
Sua terra querida terá que deixar,
Já não tem mais querer, já não pode lutar!
De seu gosto não é! Mas, que pode fazer?
Aos seus filhos queridos tem que obedecer!
Aceitou, calmamente, sem nada dizer.
O meu Pai só sabia um verbo: AMAR.
Natal/RN – 2002